13 SEGUNDOS

O que você pode aprender pra sua carreira com o novo campeão mundial do UFC. O homem que colocou uma nação de joelhos em míseros 13 segundos.

Preparar, Apontar, VENDA!

Ninguém gosta de final triste, Aldo ter perdido com 13 segundos de luta foi o pior de todos os roteiros.

Homem correto, pobre, deixou uma vida difícil e arriscou tudo para se tornar um grande campeão. Qual seria o final feliz? Destroçar o "palhaço” do Conor Mcgregor de forma fulminante logo no primeiro assalto. Mas a vida é uma ciência inexata e como vocês já sabem: "Aqui não é a Disney, aqui é #FacaNaCaveira".

Como não sou engenheiro de obra pronta - quem me acompanha sabe, que eu falei 1000 vezes que o MCgregor ganharia, não foi surpresa pra mim, a luta já estava vencida antes mesmo de começar.

A torcida brasileira fez o de sempre, 98% da população torceu com o coração e valorizou o humilde Aldo, malhando o falastrão Irlandês.

Como não sou passional, já tinha olhado a casa de apostas, sabe quem era o favorito? Conor. Nem os 10 anos de invencibilidade foram suficientes para convencer os apostadores, começava ali o primeiro sinal de que a noite não acabaria bem.

Antes que iniciem os xingamentos do tipo: tem que lutar pra comentar, quer aparecer , quer vender palestras, a luta foi comprada, brasileiro só pode torcer pra brasileiro, dentre outras argumentações ad hominem - eu tenho um desafio para os valentões virtuais: encaro qualquer um que estiver lendo esse texto, luto com vocês no Octógono, mas apenas pelo tempo que Aldo lutou com Conor e só. Rá!

Para acabar com qualquer dúvida, deixo claro que não estou falando da brilhante e estupenda carreira do José Aldo, esse flamenguista que sou fã, estou falando ESPECIFICAMENTE desse confronto, dessa luta e nada mais.

Aqui algumas lições de um irlandês marrento, alguém que fala, fala, fala mais um pouco e FAZ.

Mindset - mentalidade forte nos obriga a ter pensamentos poderosos, vibrantes e encorajadores. Devemos nos sentir poderosos, mesmo sem ser, precisamos repetir nosso mantra diário e como diria Franklin Roosevelt: ”com disciplina ferrenha, quase tudo é possível”.

Você percebia isso nas entrevistas do Conor Mcgregor, simplesmente uma mentalidade inquebrantável. Para ele nunca houve qualquer DÚVIDA sobre o destino daquele cinturão.

Nós já tivemos tantas derrotas acachapantes no esporte, que se eu citar todas aqui vou ficar deprimido. Não, não me façam lembrar da Alemanha e do nosso CHORO compulsivo.

O brasileiro médio não suporta pressão, ele gosta de ser elogiado, mas odeia ser pressionado. Nossa cultura, diferente de americanos e chineses, privilegia um falso esforço ao invés do resultado.

Complexo de inferioridade - Brasileiro é único povo que eu conheço que ao se despedir da casa de alguém após um jantar diz assim: “obrigado e desculpe qualquer coisa”.  Essa frase carrega uma pequenez terrível, é a busca atroz por uma humildade hipócrita empurrada goela abaixo por nossa sociedade atrasada.

Quando vamos estudar no exterior achamos que sabemos menos que os outros, quando somos do nordeste e visitamos o sudeste achamos que eles sabem mais do que nós, estamos sempre subestimando a nós mesmos. Talvez por isso palestras e livros de autoajuda façam tanto sucesso por aqui.

Posições de poder - Você pode dizer que ALDO sempre fez a mesma coisa nesses 10 anos com o ato de olhar para baixo em sinal de respeito ao adversário, mas esse é justamente o retrato do brasileiro acanhado e medroso ao se deparar com o caos. Não importa que Aldo fez isso durante 10 anos, ele errou ao se apequenar diante de um adversário tão perigoso. O mais decepcionante é que na última pesagem ele tocou o rosto do Conor e brincou, mas quando chegou a hora do pau...

Antes do combate, Conor usou uma das técnicas que utilizo nos meus treinamentos, ele parecia um gigante no OCTÓGONO, ele dominava o show e quando foi chamado pelo enigmático Bruce Buffer, ele abriu os braços como se ali fosse conquistar o MUNDO. O que você chama de arrogância, na verdade é uma técnica amplamente difundida pela universidade de Princeton

A cobra NAJA é grande? Não, né? Mas sua posição de poder amedronta seus predadores.

Ah, talvez você cite o caso de Fedor Emelianenko, uma lenda do esporte, que também olhava para baixo, mas cara, Fedor é RUSSO -  e na moral, esse povo precisa ser estudado , eles não são humanos. Rá!

Marketing pessoal - não espere reconhecimento, não espere que as pessoas falem bem de você. Não se esconda, mete as caras parceiro, se você é bom, mostre sua convicção e muitas pessoas vão seguir você. Conor era o rei do marketing pessoal, sabia promover lutas como ninguém e se tornou um ícone em seu país, além de ganhar muita grana fazendo isso.

Infelizmente brasileiro acredita que marketing pessoal é arrogância, prepotência e egocentrismo, mas não passa de pura estratégia. Triste do atleta e do profissional que não sabe fazê-lo.

Já escrevi antes que a humildade pode arruinar sua carreira, acredito piamente nisso, fico desgostoso quando vejo pessoas querendo apontar apenas um caminho para vitória, existem várias maneiras de ganhar, uma delas é não sendo HUMILDE. 

Cristiano Ronaldo, Mohamed Ali, Romário, Renato Gaúcho, tantos são os casos de pessoas que falaram , falaram e fizeram – porque devemos simplesmente negligenciar essa outra possibilidade de vencer?

Estratégia - Conor nunca respeitou Aldo antes da luta, sempre desdenhou do campeão chamando-o de baixinho, fraco, medroso, que ele só tinha lutado com gente fraca, roubou o cinturão durante uma coletiva, dentre outras formas de provocação. O que ninguém esperava é que por trás de toda aquela marra tinha um sujeito absolutamente focado em derrotar José Aldo.

Uma máquina rápida, precisa e letal, que analisou minuciosamente cada movimento do campeão, o pensamento era fazer a melhor luta da vida, a promoção sempre foi secundária, mas para o grande público – a mensagem de que ele era apenas um fanfarrão.

Mcgregor estava invicto há 14 lutas, um adversário com repertório vasto e totalmente imprevisível, tinha ganho o cinturão interino e não vinha de contusão como o Aldo.

O foco em provocações deu certo.

Aldo parecia um filhote de rinoceronte amedrontado em um lindo castelo de cristais.

O Brasileiro saiu da sua estratégia convencional, querendo decidir rapidamente a luta. Aldo e sua equipe imaginaram que Conor não passava de um Chael Sonnen da Irlanda, ledo engano. Sonnen também sabia provocar e se promover como ninguém, mas passava longe da técnica e do preparo de Conor, mesmo assim, se não fosse um triangulo milagroso no último instante, o Spider também teria caído no jogo psicológico de um cara mediano.

Para provar que isso foi pura estratégia, veja o que o novo campeão falou após a luta em sinal de respeito para com Aldo: “eu sinto pelo José, ele foi um grande campeão, ele merecia durar mais tempo, eu sinto muito”.

Todo brasileiro diz que ama mudança, diz que aceita feedback na boa, sei... Tudo mentira. Mas eu sinceramente acredito que podemos mudar essa realidade.

Fico na torcida para que ALDO leia críticas como a minha e a de outros e não leve para o lado pessoal, que sua equipe pare de bajulá-lo e reconheça que não foi um golpe de "sorte". Desejo que Aldo trabalhe ainda mais duro,  reconheça o que fez de errado (SEM EGO) e retome aquilo que lhe transformou em uma lenda viva.

E na próxima Fabricio, vai torcer pra quem ? ALDO é claro, afinal, quem não gosta de uma boa trilogia?

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